Não, não adianta você falar que vai me impedir de enlouquecer. Isso não existe. Não há no mundo quem possa contra a minha loucura, ou contra a sua, e muito menos nós podemos contra a loucura um do outro. E a sua é essa, pensar que pode. Pensar que pode fazer por mim algo além de sentar ao lado da cama e ministrar os meus remédios. Mesmo que você queira se-los, sempre só poderá ser veneno.
Então cale a boca e escute. Coloque seu ouvido em meu peito e ouça meu coração bater em embalos descompassados, aceite que sou eu. Que esse coração sem rima é mais de mim do que qualquer coisa bonita ou certa que você já conheceu. Aceite que a loucura vem, passa e vai, e que adora restar, escoar entre os nossos dedos em cada fração de segundo pela qual você esquece lentamente de mim.. E depois os segundos completos e minutos e horas e aí os dias em que eu preciso aprender a me virar. Duas loucuras não deveriam jamais brigar, mas a sua tentação a me abandonar é mais forte do que as minhas dúvidas temporariamente crônicas. Isso que pulsa de maneira cruel aí dentro de você soa mais alto do que o que indica que essa minha dor um dia vai passar, e você esquece de mim, da minha loucura e da nossa constante guerra para descobrir quem ama mais.
(Denise Dantas)
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