quarta-feira, 8 de maio de 2013

Marasmo meu

Não te incomoda quando alguém passa por você e volta?
Você não se perde no tempo?
Claro... É sempre bom manter contato, saber como aquele seu velho amigo anda, olhar as fotos do seu casamento e do nascimento do seu primeiro filho. Mas não rola voltar a ser vizinho.
Seria como dormir pro lado contrário da cama e acordar achando que está do outro lado, levantar no meio da madrugada e dar com a cara na parede!
Confuso demais pra quem tenta acertar a ordem cronológica dos acontecimentos do último mês.
A gente corre pra caramba, tenta fugir do relógio o tempo todo.
A soneca do despertador é um martírio que eu já desisti dele há tempos.
A gente corre e tenta encontrar no tempo uns vãos pra ser feliz e só lembrar do que importa.
Daí não cola, de repente, cruzar com alguma coisa do seu passado que você nem lembrava mais e tomar um choque de lembranças com cheiro de poeira de gaveta que ninguém abre há muito tempo.
Sabe...
Certas coisas não precisam voltar. Ficam lá, em alguma lugar do passado, em alguma gaveta escondida num armário qualquer.
Você viveu, curtiu, passou. Não precisa voltar.
Voltar dói, dá dor de cabeça, os olhos brigam com a luz e se negam a abrir.
Eu e meu jeito confusa, meio estabanada, derrubando as coisas enquanto caminho depois que acordo.
Eu e meu jeito corrido, fugindo do tempo e correndo pra ele no minuto seguinte, implorando pra que ele passe depressa e que os braços de quem me ama  me detenha numa dessas minhas corridas e me faça ninar pelo resto da vida.


Quando sair, apague a luz e... Não volte.





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