quarta-feira, 15 de maio de 2013

Cai bem ser louco

Cai bem um biscoitinho doce depois do almoço. Cai bem água com gás com chocolate. Cai bem descrever seus compromissos do mês da agenda antes de dormir. Cai bem rever algumas fotos. Cai bem dormir de conchinha, aninhado como em um só. Cai bem beijo com estalo. Cai bem beijo demorado. Cai bem presentear a quem ama. Cai bem ouvir música enquanto cozinha. Cai bem ler quando não tem ninguém em casa. Cai bem dormir depois de limpar a casa toda. Cai bem o cheirinho de amaciante da roupa recém-passada. Cai bem o cheirinho da orelha de quem a gente ama. Cai bem deitar no ombro, sentir os dedos no cabelo, pegar no sono. Cai bem sair com as amigas. Cai bem rir das situações mais ridículas que a vida nos coloca. Cai bem ensinar seja lá o que for pra qualquer pessoa. Cai bem colocar as fotos dos álbuns em porta retratos. Cai bem comprar bibelôs para enfeitar a casa. Cai bem conhecer algumas pessoas, ignorar seu lado anti-social, entender como gira o mundo delas. Cai bem se deparar com um sorriso de criança ao final de um dia bastante cansativo. Cai bem sentar no banco da praça, comer dois alfajores e observar a vida rápida de quem passa correndo como você estava minutos antes. Cai bem receber uma ligação cheia de carinho às 02h56 da manhã. Cai bem descobrir que você é amado nas mínimas coisas. Cai bem dividir o mesmo canudinho, o mesmo cobertor, a mesma colher, o mesmo livro. Cai bem ter seu próprio livro de receitas. Cai bem escrever um livro, um poema. Cai bem comer tanta paçoca com suas amigas até passar mal. Cai bem tomar muita água depois. Cai bem colecionar conchas do mar, botões de roupa, caixas. Cai bem fazer o que a gente quiser. Cai bem ser feliz, mesmo que pra ser assim a gente pareça um louco.



                                              

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