Não quero defender as relações falidas e que só fazem mal, nem estou sugerindo que as pessoas insistam em sentimentos que não são correspondidos, em relacionamentos que não são recíprocos, mas quero reafirmar a minha crença sobre o quanto considero válida a coragem de recomeçar, ainda que seja a mesma relação; a coragem de continuar acreditando, sobretudo porque a dor faz parte do amor, da vida, de qualquer processo de crescimento e evolução. Pelas queixas que tenho ouvido, pelas atitudes que tenho visto, pela quantidade de pessoas depressivas que perambulam ocas pelo mundo, parece que temos escolhido muito mais vezes o “nada” do que a “dor”. Quando você se perguntar “do que adianta amar, tentar, entregar-se, dar o melhor de mim, se depois vem a dor da separação, do abandono, da ingratidão?”, pense nisso: então você prefere a segurança fria e vazia das relações rasas? Então você prefere a vida sem intensidade, os passos sem a busca, os dias sem um desejo de amor? Você prefere o nada, simplesmente para não doer?
Não quero dizer que a dor seja fácil, mas pelo amor de Deus, que me venha a dor impagável do aprendizado que é viver. Que me venha a dor inevitável à qual as tentativas nos remetem. Que me venha logo, sempre e intensa, a dor do amor. Prefiro o escuro da noite a nunca ter me extasiado com o brilho da Lua. Prefiro o frio da chuva a nunca ter sentido o cheiro de terra molhada. Prefiro o recolhimento cinza e solitário do inverno a nunca ter me sentido inebriada pela magia acolhedora do outono, encantada pela alegria colorida da primavera e seduzida pelo calor provocante do verão.
Não me importo se depois ele não vai caminhar comigo, bastou aquele lindo pôr-do-sol com a cabeça no ombro dele, enquanto os dedos deles faziam cachinhos nos meus cabelos.
Prefiro a decepção da ingratidão a nunca ter aberto meu coração. Prefiro o medo de não ter meu amor correspondido a nunca ter amado ensandecidamente.
Prefiro a certeza desesperadora da morte a nunca ter tido a audácia de viver com toda a minha alma, com todo o meu coração, com tudo o que me for possível...
Enfim, prefiro a dor, mil vezes a dor, do que o nada. (assustado? O.o eu também estou, mas é isso o que eu sinto. Pelo menos hoje.)
Porque, como já dizia o poeta:
“Você pode desistir de um caminho que não seja bom, mas nunca de caminhar. Pode desistir de uma maneira equivocada de agir, mas nunca de ser você mesmo.Pode desistir de um jeito falido de se relacionar, mas nunca de abrir seu coração.”
Portanto, que venha o silêncio visceral que deixa cicatrizes em meu peito depois das desilusões e dos desencontros. Mas que eu nunca, jamais deixe de acreditar que daqui a pouco, depois de refeita e ainda mais predisposta a acertar, vou viver de novo, vou doer de novo e sobretudo, vou amar mais uma vez. E não somente uma pessoa, mas tudo o que for digno de ser amado! Amar, amar, simplesmente, amar.
E, eu sei.
Eu confundi você agora com todas essas palavras. Mas são duas horas da manhã, e eu sinto um amor gigante dentro de mim, que dói pra chuchu. E, por um instante, eu me perguntei se eu não quero sentir isso. E eu não consegui me imaginar sem essa dor.
Um beijo estalado na bochecha gorda dos meus amigos, e nas magrinhas também. *-*
Eu amo vocês e obrigada por me fazerem TÃO feliz :D
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