Não, eu não quero.
Mas, porque comigo? Logo eu que sou instável, inconstante e confusa demais. Poderia ser com uma dessas mulheres inteligentes, independentes, que se cuidam... Como tem aos montes por aí. Dessas que ouve hip hop no sábado a tarde e bossa nova no sábado a noite.
Mas não comigo. Eu nem queria falar com você, eu não queria dividir minhas balas, eu não queria falar sobre os países desenvolvidos nem sobre os meus sapatos. Eu não queria segurar a tua mão, nem brincar com meus pés nos teus.
Eu não queria. Como um namorado na casa da sogra morrendo de fome negando a comida na hora do almoço. Era assim que eu não queria.
Você não era nada do que eu queria fisicamente e eu não gostava de olhar os teus olhos porque eles não representavam abismo algum e eu não me perdia neles. Mas eu gostei do seu abraço, e foi nisso que eu me perdi.
Tá, não importa agora em que parte eu me senti encontrada ou perdida, confusa ou decidida. Não importa mais. Porque o que restou foi essa coisa seca, desidratada, essa planta que você deixou secar sem amor, sem água, sem vida.
Eu só queria que restasse algo bonito, digno de ser mostrado, de ser amado ou dedicado algum carinho. Não tenho prazer em dizer que amei você, pois tudo o que a gente ama e passa em nossa vida, sempre deixa algo bonito. E você me deixou essa coisa feia, sem graça, fria. Custava regar a planta? Dedicar um pouco de amor? Não deixar esse sol ressecar?
Não me diga que você não teve opção. Você teve, e por isso escolheu estar longe, frio, sem amor.
Eu te deixei essa coisa bonita que você carrega e se orgulha em mostrar só pra dizer que alguém te amou assim, que alguém jurou te cuidar pra sempre. Que alguém se dispôs a viver todas aquelas besteirinhas que você achava graça em viver.
Desculpa por não saber ser tua meio amiga, nem teu quase amor. Eu tive que decidir. E ta sendo melhor assim, não ta?
Eu sou exatamente o que você quer, você é exatamente o que eu quero, mas as nossas exatidões não funciona numa conta de mais.
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