Falei de amor o final de semana inteiro. E conversando com a Denise – que se empolgou em discutir meu assuntos complexos – eu finalmente consegui me respeitar e me entender. Eu conheço essa metade de mim, no fundo, previsível demais. Mas a outra metade é imprevisível no fundo, na superfície, dos lados. Totalmente imprevisível. E se torna mais ainda quando eu amo. Eis um dos principais motivos para me coçar só em falar no amor. Não me conheço quando amo. E tenho medo disso. Depois de todo o amor que dediquei e de ter amado uma única vez e me apaixonado milhares de outras vezes, cansei dos clichês. E exatamente por ter cansado me torno inconstante, tudo é normal demais e mais nada me surpreende. Sempre que alguém se aproxima e nasce uma chance de um respectivo amor eu me permito conhecer a pessoa. Mas existe uma espécie de psicóloga dentro de mim e logo eu conheço os traumas, medos, incertezas, erros, inseguranças... TUDO a respeito dessa pessoa, e logo, fica clichê demais e não me surpreendo com mais nada. Por isso me chamaram de inconstante e tocaram no meu sagrado ontem. Não é inconstância, só tenho o direito de querer amar quem realmente me surpreenda e cure os MEUS traumas e tire os MEUS medos. Não quero tocar no sagrado de ninguém e sair curando feridas causadas por outros amores, eu preciso disso e não estou nem um pouco encorajada em fazer isso em outrem. Cansei de suportar o mau cheiro de coração abandonado e sair faxinando tudo, limpando as melequinhas nas grades do fogão, tirando o pó do velho piano, aspirando as almofadas e tapetes, limpando coisinhas negras sem nome que ficam grudadas nas paredes. Não, não quero isso novamente. Pra quê? Pra depois de tudo limpo ele ir embora em busca de alguém mais bonitinho, mais agradável, menos confuso pra decorar toda a casa do jeito dela? Pra esquecer de todo o meu sacrifício, das minhas unhas quebradas por toda a dedicação na limpeza do coração dele? Definitivamente, NÃO. Era o tempo em que eu amava me dedicar limpando coração de quem aparecesse no meu caminho, era o tempo em que eu me envolvia facilmente, era o tempo que eu me apaixonava pelo primeiro idiota que me mandasse flores ou visse o sol indo embora comigo num agitado fim-de-tarde de uma terça-feira qualquer. O pior de tudo é que eu sei que agora eu tenho um coração assim, na minha mão, todo bagunçado, empoeirado. E aí que não quero arrumar a casa, tirar as melequinhas do fogão nem as coisinhas negras da parede, mas estou ajudando a arrumar o jardim. Tiramos algumas ervas daninhas, carpimos, colocamos algumas pedras brancas pra enfeitar o caminho de pedras maiores que fica no meio do jardim. Plantamos algumas rosas. Mas ele tem reclamado que meu sol ta quente demais e o jardim dele, frágil demais. Antes mesmo que eu seja convencida a ajudar na limpeza da casa, já terei que me afastar. Não quero que o meu sol resseque o seu jardim. Não quero que minha intensidade te impeça de enxergar as coisas certas, nem as erradas. Me perdoe, mas estou fazendo tudo certo até então, não posso errar misturando sentimentos nisso.
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