terça-feira, 2 de março de 2010

...mente sem lembranças.

"Se eu tivesse que contar hoje minha vida para alguém, poderia fazê-lo de tal maneira que iriam me achar uma mulher independente, corajosa e feliz. Nada disso: estou proibida de mencionar a única palavra que é muito mais importante que os onze minutos - amor.
Durante toda a minha vida, entendi o amor como uma espécie de escravidão consentida.É mentira: a liberdade só existe quando ele está presente. Quem se entrega totalmente, quem se sente livre, ama o máximo.
E quem ama o máximo, sente-se livre.
Por causa disso, apesar de tudo que posso viver, fazer, descobrir, nada tem sentido. Espero que este tempo passe rápido, para que eu possa voltar à busca de mim mesma - encontrando um homem que me entenda, que não me faça sofrer.
Mas que bobagem é essa que estou dizendo? No amor, ninguém pode machucar ninguém; cada um de nós é responsável por aquilo que sente, e não podemos culpar o outro por isso.
Já me senti ferida quando perdi os homens pelos quais me apaixonei. Hoje estou convencida de que ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém.
Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem possuí-la."


(Trecho do livro "Onze Minutos" - Paulo Coelho)


* * *

Eu assisti "O brilho eterno de uma mente sem lembranças" essa semana pela terceira vez, eu acho. Já conversei com pessoas que acharam o filme tão inútil quanto "Antes do pôr-do-sol" que muitos desatentos teimam em confundi-lo com o magnífico filme "Antes que termine o dia", but... Eu gosto de saber que, quando a gente ama, mesmo que apaguemos da memória o amado, a gente ainda o reconhece. AINDA O RECONHECE!!!
Eu tenho certeza que muitos irião se frustrar consigo mesmo se usassem essa técnica de caçar o amado dentro da sua mente por horas a fio... Matar todas as lembranças, e mesmo assim, ainda reconhecê-lo como o seu amor na fila do banco, entre as prateleiras da vídeo-locadora ou em meio a multidão que corre todos os dias de um lado para outro no centro da cidade.
Eu estava tendo uma conversa um tanto inútil - pro tempo de hoje - com um broto de gente que teima em me contrariar e ainda me chamar de "Sabichona". Bom, sorte que eu sou uma pessoa muito calma e não levo pro lado pessoal. É só mais uma de suas crises. But, eu ainda acredito no processo do reconhecimento.
Amo quando meu vôzinho fala sobre isso é lindo. Os olhos dele brilham, e eu ouço ele falando nisso desde que me conheço por gente. E adianta explicar tudo aqui?
Simplesmente... Podemos amar mil pessoas durante toda a nossa vida, mas só uma pessoa a nossa alma vai reconhecer como nosso amor. E, são muitas pessoas que vivem uma vida inteira com alguém que a sua alma não reconheceu. Isso não faz nenhuma delas infelizes - só de vez em quando, ou quase sempre - , mas só faz delas mais duas pessoas pro clube dos milhões de casais que não viveram tudo o que dois apaixonados podem viver... Quando se amam de verdade.
É sorte, é benção na vida daqueles que encontram a pessoa que sua alma reconhece...!
Assistam o vídeo? Eu amo essa parte do filme. E eu já chorei algumas vezes quando ele diz "...eu fui embora pela porta, não sobrou nenhuma lembrança..."








* * *

Deixemos essa parte dramática - que eu amo - , e voltemos a parte sem noção - que eu também amo.
Ontem tomei banho de chuva. Estou resfriada, com a rinite atacada - porque resolvi cheirar os casacos de inverno antes de colocá-los pra lavar - , meu nariz parece estar em carne viva e eu quase quebrei o dedinho da mão tentando estalar o dedo.
Eu não crio juízo porque eu não sei o que ele come, tá? Nem reclama!
Bom... Meu inglês tem melhorado, e eu passo todos os dias aqui nesse blog e cada vez tenho falado menos de mim.
Tenho muitos medos - baratas, maldade, expor sentimentos, sapos - , algumas poucas coragens - andar de avião, morar em Israel, me jogar de cabeça nas paixões - , certas esperanças - ainda me tornarei uma mulher bem sucedida e saberei conciliar filhos, marido, casa e trabalho - , e outras tantas descrenças. Nasci em São Paulo, não fui um bebê muito desejado, eu era super doente e tinha os olhos grandes - tinha? - , as pessoas deviam ter medo de mim. Minha mãe confessa que tinha medo quando eu a encarava. Bom... Eu tento ser filha, neta, irmã, amiga, menina, mulher, essas coisas... E escrevo. ;)
Me viciei em baixar filmes e estou super atrapalhada com legendas.
Ah! Beijo pra Ju, pra Denise, pro Jota, pro meu cunhadinho Israel, pro Tinho, pro Percio, pro povo do teatro, do grupo jovem, da igreja, pros meus alunos... E, bezos.



Se cuidem, crias. ;*

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